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"E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca."


Caio Fernando Abreu em "Além do ponto".
http://caio-fernando-abreu.blogspot.com.br/2007/06/alm-do-ponto-caio-fernando-abreu.html


Caio, gripe, devaneios, avencas, e uma noite de lua cheia tentando me lembrar que o mundo além da porta é grande.


...


Eu não nasci para cuidar de avencas.


...


Acho que a gripe me deixou louca. Ou foram os devaneios?

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